Contaminação
em Laboratório de Micropropagação
A contaminação em um laboratório
de cultura de tecidos pode ter várias
causas, entre elas: microorganismos na superfície
ou no interior dos explantes, falhas nos procedimentos
durante a inoculação/ multiplicação
do material ou na esterilização
do meio de cultura, contaminação
causada por formigas, tripes ou ácaros.
1. Fontes de contaminação:
A. Na planta matriz:
Causas:
- Uso de bokashi ou outro adubo orgânico
durante a formação dos brotos.
- Tecidos de plantas ou brotos em contato com
o solo.
- Plantas cultivadas no campo, sem ambiente protegido
e com irrigação por aspersão.
Como evitar:
- Usar adubação líquida
ou retirar a adubação orgânica
durante a formação do broto.
- Manter as plantas matrizes em ambiente protegido
(estufas) e evitar irrigar as plantas por aspersão
(por cima), para evitar a entrada de microorganismos.
- Aplicar um fungicida de contato de largo espectro
10 dias antes da retirada do meristema.
- Lavar/limpar o broto antes de levar para a
sala de inoculação. Utilizar sabão
em pedra para este fim.
B. Durante a inoculação
da cultura:
Causas:
- Matriz contaminada.
- Falhas na inoculação/esterilização
ou manipulação dos explantes.
- Bactérias endógenas.
Como evitar:
- Cuidados durante a inoculação
e repicagens: Trocar regularmente as soluções
para esterilização dos explantes,
verificar o prazo de validade e manter o frasco
aberto na geladeira. Verificar cuidadosamente
os frascos antes de abrir.
- Detecção de contaminação
por bactéria nos estágios iniciais:
Ao introduzir uma cultura no laboratório,
podemos detectar a presença de bactérias
das seguintes formas:
* Manter no meio líquido sob agitação
por 3 semanas em uma temperatura de 26°C
para favorecer o desenvolvimento de bactérias.
* Adicionar peptona ou extrato de levedura, na
proporção de 1,5 g para cada litro
da solução de meio de cultura.
* A adição de gel rite é interessante, pois facilita a
visualização de contaminantes.
- Matrizes contaminadas por bactérias
endógenas: São as bactérias
que se encontram dentro da planta. Muitas destas
bactérias ficam latentes e se manifestam
em condições específicas,
como por exemplo, a transferência para
um meio de enraizamento, alteração
no pH do meio ou mudança na temperatura
da sala de crescimento. Frequentemente o aparecimento
repentino de contaminação causada
por bactérias após várias
repicagens ou durante o enraizamento, podem ser
atribuídos a estes contaminantes, que
foram inoculados juntamente com o meristema.
- Utilização de antibióticos:
testar antes, pois podem causar fitotoxidez às
plantas dependendo da espécie e do tipo
de material utilizado.
Como decidir qual tipo de antibiótico
usar? Procurar na literatura quais são
efetivos e quais não são fitos
tóxicos e depois testar em um lote pequeno.
Tabela com os principais bactericidas e bacteriostáticos
utilizados:
| Bacteriostático |
Bactericida |
| Inibe o crescimento da bactéria |
Letal para a bactéria |
| Podem ter efeito bactericida em altas concentrações |
Bacteriostático em baixas concentrações |
| Produtos: |
Produtos: |
| Choramphenicols |
Cephalosporins |
| Tetracyclines |
Aminoglycosides |
Erythromycin (Kanamycin, streptomycin
Neomycins ,Gentamicin)
|
Penicillins |
| |
Polymyxins(Polymyxin-B) |
| |
Rifamycins (Rifampicin) |
Bacteriostático Bactericida
Inibe o crescimento da bactéria Letal
para a bactéria
Podem ter efeito bactericida em altas concentrações
Bacteriostático em baixas concentrações
Produtos: Produtos:
Choramphenicols Cephalosporins
Tetracyclines Aminoglycosides
Erythromycin (Kanamycin, streptomycin
Neomycins ,Gentamicin) Penicillins
Polymyxins(Polymyxin-B)
Rifamycins (Rifampicin)
Principais fungicidas utilizados:
Amphotericin B, Cycloheximide, Nystatin, Griseofulvin,
Petachloronitrobenzene (PCNB), Thiabendazole.
Para eliminação de vírus:
Ribavirin.
Normalmente utiliza-se de 20-100 µg/ml,
mas existem culturas com fitotoxidez em doses
acima de 30 µg/ml. Pode aumentar a mutação.
O tipo de antibiótico utilizado varia
de acordo com o contaminante. Normalmente utiliza-se
streptomicina, polymyxin B, rifampicina, cefalospirin,
penicilina, vancomicina, gentamicna ou a combinação
entre eles.
Muitos antibióticos são mais efetivos
em pH alcalino, outros não são
muito estáveis, como por exemplo, o grupo
das penicilinas que ficam estáveis de
24-48h na temperatura da sala de crescimento.
Meios de cultura com muitos sais também
podem diminuir o efeito dos antibióticos.
Os antibióticos podem inibir o crescimento
da planta, reduzindo a taxa de multiplicação.
Segundo alguns estudos, a estreptomicina é a
que mais inibe o crescimento da planta, seguido
do polymyxin B e da rifampicina.
Alternativa para o uso de antibióticos:
mergulhar o material contaminado em solução
com o bactericida em vez de adicioná-lo
ao meio de cultura.
Exemplo de uso:
- Penicilina G: 10-100?g/ml para semeadura de
cattleyas.
- Sulfato de gentamicina: 50 ?g/ml para semeadura
de cattleyas, para Vandas e Cymbidium ocorre
fitotoxidez.
C. Contaminação por agentes externos:
formigas, tripes e ácaros.
Formigas, tripes e ácaros podem ser fontes
de contaminação dentro do laboratório.
As formigas são atraídas por restos
de meio de cultura, por isto devemos manter a
sala de preparo de meio sempre limpa, pois uma
vez instalada, a infestação por
formigas se espalha, sendo necessário à utilização
de iscas para combatê-las.
Tripes e ácaros causam a contaminação
por fungos e bactérias, pois eles conseguem
entrar nos frascos, mesmo com o uso de parafilme
ou filme de PVC. Uma vez instalado, é difícil
eliminar, pois os produtos aplicados não
têm efeito dentro dos frascos, conseguimos
eliminar apenas os ácaros ou tripes que
estão fora dos frascos.
Como evitar:
- Manter a sala de crescimento limpa.
- Evitar entrar no laboratório após
trabalhar nas estufas.
- Lavar as caixas plásticas, frascos e
outros materiais que estavam na estufa antes
de colocá-los no laboratório.
* Em caso de contaminação com ácaros:
pulverizar Duocide plus (desinfecção
hospitalar), retirar os materiais contaminados
com freqüência, pois possuem um ciclo
reprodutivo rápido, de um mês, e
após este período saem dos frascos,
contaminando outros.
2. Importância
dos Treinamentos:
As pessoas são consideradas uma das maiores
fontes de contaminação em
Ambientes classificados, pois possuímos
uma flora microbiana capaz de gerar inúmeros
contaminantes.
É
importante seguir uma rotina para entrar e sair
da sala limpa, além de cuidados com a
higiene pessoal, como: manter o cabelo preso,
usar avental, máscara, lavar bem as mãos
e unhas, calçados limpos, não comer,
beber ou fumar na sala limpa, entre outros.
Alguns estudos verificaram que mais da metade
de bactérias isoladas em laboratórios
de micropropagação eram de Staphylococcus,
Micrococcus e Lactobacillus, que normalmente
habitam a pele e outros tecidos humanos ou
de animais (Kloss &Schleifer, 1986 e Kocur
1986), demonstrando que uma grande porção
de contaminantes encontrados em culturas antigas
foi introduzida através da manipulação.
3. Materiais contaminados:
Manter fora da sala
limpa e autoclavar por pelo menos 30 minutos
antes de lavar as vidrarias, pois existem alguns
microorganismos como Bacillus cereus e circulans
que podem sobreviver a autoclavagem a 120°C
por vinte minutos.
4. Instrumentos:
Existem bactérias que
são resistentes ao álcool, a flambagem
rápida e ao hipoclorito de sódio,
portanto recomenda-se autoclavar os instrumentos
regularmente, ferver os instrumentos por pelo
menos 20 minutos ou flambar no Bico de Bunsen
por 12 segundos. A utilização de
um Microesterilizador elétrico pode ser
interessante.
5. Meio de cultura:
Recomendam-se autoclavar
os meios de cultura no mesmo dia em que são
preparados. Se não for possível,
manter os meios restantes refrigerados até a
autoclavagem no dia seguinte.
Normalmente os meios de cultura são autoclavados
a 120°C durante 20 minutos, em casos de dúvidas
durante a autoclavagem, manter os frascos armazenados
por pelo menos 5 dias antes de usar.
6. Viroses:
Ss viroses em orquídeas são
disseminadas através do manuseio das plantas
e de instrumentos como tesouras de poda.
Os instrumentos devem ser esterilizados com trifosfato
de sódio ou flambagem prolongada (até ficar
incandescente).
Existem kits para detecção de viroses
CyMV (Cymbidium Mosaic Vírus) e
ORSV (Odontoglossum Ring Spot Vírus),
pois muitas vezes as plantas estão contaminadas,
mas não apresentam sintomas. Estas viroses
não são transmitidas por insetos.
Por: Sandra Shinoda
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