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Pesquisa do IAC identifica vírus que reduz o tamanho das flores e mancha as folhas da hortênsia azul.

As belas plantas da hortênsia azul já não estavam tão admiráveis – o tamanho reduzido das flores e as manchas nas folhas depreciavam o produto no mercado. Para piorar, o número de mudas vinha caindo ano a ano, problema chamado degenerescência da planta; e os produtores desconheciam sua causa.
Em busca de solução, estes enviaram em 2004 amostras de hortênsias ao Instituto Agronômico em Campinas, que, após quatro anos de pesquisa, identificou o vírus causador das perdas e gerou uma resposta para os floricultores: o IAC fez a “limpeza” da variedade chamada “Renate Blue”, a principal no mercado, obtendo matrizes (plantas que dão origem às mudas) isentas do vírus denominado cientificamente Hydrangea ringspot vírus, também chamado de mancha anelar da hortênsia. É a primeira vez que esse vírus é estudado no Brasil.

O atestado de isenção desse vírus foi entregue aos floricultores em 18 de novembro de 2008, na Aflord (Associação dos Floricultores da Região da Via Dutra), em Arujá/SP. No evento, ficou registrada a liberação de dez matrizes isentas do Hydrangea ringspot vírus

A região de Arujá, Mogi das Cruzes e Guararema, responsável por cerca de 80%das hortênsias em vasos no Estado de São Paulo, ocupa a terceira posição dentre as principais produtoras de flores, movimentando R$ 69 milhões por ano. O Estado todo responde por 70% da floricultura brasileira e movimenta em torno de R$ 460 milhões (dados da Câmara Setorial de Flores e Plantas Ornamentais).
Em 2004, momento do início da pesquisa, 100% das matrizes estavam contaminadas. Em razão de testes efetuados pelos pesquisadores do Instituto Agronômico, Instituto Biológico e Unesp – Botucatu terem apresentado resultado positivo para todas as amostras da variedade “Renat Blue” e da presença de sintomas generalizados em todas as plantas matrizes, conclui-se que não havia plantas sadias disponíveis. Como havia a necessidade de se obter material isento do vírus e frente à queda na produção de mudas das matrizes, iniciaram-se estudos para obtenção de plantas livres do vírus. Os caminhos adotados foram a termoterapia, feita no IAC, e o cultivo de meristemas, realizada na Aflord.
Os resultados chegaram em dois anos: em 2006, foram obtidas várias plantas. De lá para cá, realizaram-se testes para confirmar a sanidade do material obtido. Dez plantas isentas de vírus foram confirmadas. Estas são as matrizes básicas e, a partir delas, é feita a multiplicação das mudas. Essas plantas já floresceram uma vez e como não se observaram modificações na estrutura floral, foram consideradas aptas para serem utilizadas como matrizes básicas isentas do vírus. Dessas dez plantas sadias serão originadas todas as mudas dos produtores, sendo que apenas um deles produz 20 mil.
Por se tratar de vírus novo no País, comunicou-se a ocorrência de patógeno exótico ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Participaram da Pesquisa:

• Instituto Agronômico de Campinas
• Instituto Biológico de São Paulo;
• Órgãos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo;
• Faculdade de Ciências Agronômicas – UNESP/Botucatu - SP;
• AFLORD – Associação dos Floricultores da Região da Via Dutra.

 
 
 
 
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